Publicado em 17 abril 2026
"É chumbo, vale uma grana" — e assim um aparelho de
radioterapia abandonado quase condenou uma cidade inteira.
![]() |
| Divulgação: Release oficial Netflix |
Essa cena da série brasileira Emergência Radioativa fica grudada na cabeça. Um catador olha pra aquela cápsula metálica e conta vantagem para o parceiro.
Na verdade, o que estava naquele objeto era Césio-137,
material radioativo com poder de contaminar centenas de pessoas sem fazer o
menor barulho.
A nova série da Netflix é baseado numa história real.
Setembro de 1987, Goiânia. Um aparelho de radioterapia abandonado numa clínica
desativada foi parar num ferro-velho.
A cápsula foi aberta, espalhando um pó azul cintilante,
visível só no escuro. Horas depois, náuseas, tontura e contaminação. E ninguém,
absolutamente ninguém, entendia o que estava acontecendo.
O saldo foi pesado: 4 mortos já no primeiro mês, incluindo
uma menina de 6 anos.
Na época, mais de 110 mil pessoas foram monitoradas pela Comissão
Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Das quais 271 apresentaram algum grau
de contaminação, 14 precisaram de internação intensiva.
Graças aos técnicos da CNEN, que coordenaram a operação de
contenção e mapearam tudo certinho, o estrago não foi maior.
Na série Emergência Radioativa, o físico nuclear Márcio
é um deles, interpretado por Johnny Massar. Ele é um personagem fictício criado
para representar diversos cientistas que atuaram no combate à contaminação, em
especial o físico Walter Mendes Ferreira.
O caso é considerado o maior acidente radioativo do mundo fora de
uma usina nuclear.
Nas palavras da Rolling Stone Brasil, Chernobyl tem série
famosa, tem filme, tem documentário; o de Goiânia ficou décadas engavetado na
memória coletiva — até agora.
A minissérie nacional, produzida pela Gullane e estrelada
por Johnny Massaro, estreou em 18 de março de 2026 na Netflix e foi direto ao
topo.
No primeiro fim de semana, chegou ao número 1 no Brasil e
Portugal, e ao segundo lugar no mundo — entrando no Top 10 de países como
Argentina, França, Itália e México.
A crítica chamou de "Chernobyl à brasileira"
— e não é elogio jogado à toa, não. O Adoro Cinema enfatiza que a série acerta
quando mostra que a tragédia não é puramente tragédia.
Começou como simples curiosidade e arrogância de ganhar dinheiro. É
exatamente isso que faz doer.
Se você ainda não assistiu: vai lá na Netflix e bota para
rodar. São 5 episódios.
Eu, Eric, já vi e não larguei.
O Eric viu e recomenda!

Deixe sua opinião
Nenhum comentário:
Postar um comentário