Publicado em 06 março 2026
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| Divulgação do filme "Gravidade", MediaKit. |
Se você é escritor ou escritora, precisa ter estômago para trabalhar em Hollywood.
Algumas vezes, é quase impossível achar o contato certo, você não recebe remuneração suficiente ou esquecem do seu nome nos créditos.
Em outras, alguém poderoso simplesmente rouba sua ideia e faz um filme milionário; sem você, é claro.
Há uma série de ações judiciais de ideias roubadas nos últimos anos relacionadas a propriedades de grandes produções como “Avatar”, “Frozen”, “Matrix”, além de outras.
A verdade é que é muito difícil provar que uma história foi sugada. Mesmo se for uma cópia bem descarada, os advogados do estúdio vão fazer você gastar todas suas economias nos tribunais e acabar com sua vida.
Há, de fato, uma arrogância movida pelo ego. Como você ousa desafiar aquele produtor, diretor ou estúdio?
Primeiramente, é comum escritores criarem conceitos de séries e submeterem a grandes estúdios. O projeto final pode acabar indo para o ar com muitos elementos que você concebeu, porém com pequenas mudanças. Por exemplo, sem você na equipe de roteiristas e com um título diferente.
O plágio de ideias e até roteiros é difícil de provar juridicamente. A história do cinema, e talvez da ficção, é uma cópia eterna. George Lucas se inspirou em diversas referências, como Flash Gordon, para criar Star Wars. Ou seja, a questão pode ser delicada.
Entretanto, como comentei acima, às vezes a cópia é nítida, e tudo o que você quer é seu nome dos créditos. Só isso.
A escritora Tess Gerritsen escreveu um livro chamado “Gravidade” em 1999.
Na época, houve bastante burburinho em torno da obra e ela vendeu os direitos para a New Line Cinema.
Mais de dez anos depois, ela ficou sabendo que os direitos do livro passaram para a Warner Bros, e que um filme homônimo dirigido por Alfonso Cuarón seria lançado. A trama, personagens e até o título seriam idênticos.
Mas, o nome dela não estaria em nenhum lugar. Todo o mérito da história iria para Cuarón e o filho dele, então responsáveis por escrever o roteiro.
Tess sabia que custaria muito caro lutar contra um grande estúdio, então disse ao advogado dela: “Ficarei feliz se a Warner Bros. me der cinco dólares e o crédito como era previsto em contrato”.
Mesmo sabendo que havia vendido os direitos intelectuais há anos, a frase “baseado no livro de Tess Gerritsen” deveria constar em qualquer adaptação futura.
A Warner Bros. fez de tudo para que o nome de Gerritsen não existisse.
A empresa alegou que ela estava tentando sujar o nome do grande Alfonso Cuarón. A autora sofreu ameaças e caiu em várias armadilhas legais.
No final das contas, o exército de advogados corporativos acabou sufocando seu bolso.
Moral da história, muito cuidado com a maneira como você submete ideias e roteiros, tenha um agente de confiança, não entregue roteiros a qualquer um e, acima de tudo, esteja preparado para a burocracia de Hollywood.
Às vezes eles ganham e não há o que fazer. Coisas da vida. Mas continue escrevendo porque há pessoas honestas que valem o esforço na indústria, nem todos são parasitas.

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